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| Autor: Coletivo |
data de publicação : 09/2002 |
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Trabalhando a Internet com uma visão social Setembro de 2002 Documento final CONTEXTO Este documento foi
realizado coletivamente (cf. capítulo “processo”) para servir de guia
a várias atividades ligadas aos projetos Mística3 e Olística, coordenados pela Fundação Redes e
Desenvolvimento (FUNREDES4). Mais
especificamente, serve de base para uma observação alternativa do impacto social das
TIC na América Latina e no Caribe. Tal observação deve inspirar-se nos
princípios da "Isticometria"5, que estabelecem que os indicadores precisam ser
desenvolvidos dentro de processos participativos
a fim de que se consigam vincular as prioridades de desenvolvimento
estabelecidas pelas comunidades e de que estes indicadores sejam
elaborados de acordo com a relevância social dos fenômenos para os quais
apontam, relevância que não se pode abandonar aos preconceitos das
elites ou dos agentes dominantes. De fato, o propósito é de que as
sociedades, os agentes e, sobretudo, as pessoas que devem gozar de seus
benefícios tenham uma participação no processo de formulação das políticas públicas. Assim, este
documento pretende modelar, em termos acessíveis a pessoas não
especializadas no tema, a visão da Internet como ferramenta de
desenvolvimento social que um coletivo
de pessoas (acadêmicos/as e
gente da área) foi conceituando em discussões virtuais desde 1999. O
alcance deste documento deveria ir logicamente além dos projetos
mencionados e poderia representar uma contribuição de nossa região ao
debate internacional sobre a sociedade da informação. ANTECEDENTES O projeto Mística
produziu dois documentos coletivos anteriores sobre a mesma temática, mas
com enfoques diferentes:
A esta lista deve-se
adicionar um documento que não foi produzido coletivamente e que não faz
parte das realizações do projeto Mística, mas que, no entanto, é fruto
de consultas relevantes, transmitindo, em boa medida, as reflexões da CV
Mística:
Existem,
igualmente, outros documentos regionais com uma perspectiva bastante próxima,
frutos da reflexão coletiva em outros espaços, direta ou indiretamente: ·
“Carta a la Tía Ofelia: Siete
propuestas para un desarrollo equitativo con el uso de NTC”9, 4/02, de Ricardo Gómez e
Benjamín Casadiego, inspirados num trabalho de criação coletiva durante
a Oficina de Intercâmbio de Experiências sobre Apropriação Social de
NTIC para o Desenvolvimento na América Latina e no Caribe, organizada por
ITDG10, Cajamarca, Peru, 3/02. ·
“¿Telecentros para qué? Lecciones
sobre telecentros comunitarios en América Latina y el Caribe”G11, 9/02, de Ricardo Gómez,
Karin Delgadillo e Klaus Stroll, inspirado na experiência do projeto
Somos@TelecentroG12. Este conjunto de
documentos, incluindo o presente documento, representam a produção original e própria à região da América
Latina e do Caribe sobre as temáticas da sociedade da informação. PROCESSO O processo de
coletivização do documento foi sistematizado por Kemly Camacho, da Fundación
AccesoG13, da seguinte maneira: -
a autora
redigiu uma proposta inicial onde tentou modelar o conteúdo consensual
das discussões da Comunidade Virtual (CV) MÍSTICA nos últimos meses; -
esta
proposta inicial foi submetida a discussão no âmbito do grupo de
coordenação do projeto OLÍSTICAG14; -
produziu-se
uma segunda versãoG15 que integrava os comentários do grupo de
coordenação; -
a seguir,
o documento foi levado a discussãoG16 no âmbito da CV Mística,
com uma agenda de discussão que se estendeu por várias semanas; -
finalmente,
os comentários coletados foram integrados nesse documento para produzir
uma penúltima versão; -
esta, por
sua vez, foi revisada por um grupo de coordenação e finalizada pelo
responsável do projeto, Daniel Pimienta, antes de ser exposta à CV, que
pôde avaliar se seus comentários tinham sido devidamente integrados e,
assim, finalizar o documento. Com este documento,
chegou-se a um produto que reflete, de maneira geralmente consensual e em
grandes linhas, os enfoques do coletivo Mística. Não obstante,
salientamos que não se trata de um documento formalmente endossado por
cada um dos participantes da CV MÍSTICA. Os comentários
finais, que abrem ainda mais as perspectivas deste documento, estão
reunidos no seguinte endereço. http://funredes.org/mistica/castellano/emec/produccion/memoria6/1326.html. INTRODUÇÃO Já há algum
tempoG17, na Comunidade Virtual Mística, integrada por
latino-americanos/as y caribenhos/as, estamos desenvolvendo um processo de
reflexão sobre o tema do abismo digital, a sociedade da informação, o
conhecimento e impacto social da Internet. Com o título de "Visão
Social da Internet", refletimos, empreendemos e promovemos ações
onde se aprofundem a compreensão dos efeitos e impactos desta tecnologia
ao se inserirem em nossas sociedades e onde se estabeleçam ações que
promovam uma apropriação social da Internet. A seguir, apresentamos os
princípios fundamentais partilhados por aqueles que, como nós, fazem
estas propostas.
Não vemos a rede de redes somente
como uma plataforma tecnológica. Preferimos vê-la como um novo espaço
de interação entre os seres humanos, criada por nós mesmos (as) para
nosso próprio benefício. Este espaço vai se transformando a partir
da própria interação que vamos desenvolvendo. Então, consideramos que
esta tecnologia deve ser vista, analisada, manuseada, estudada e utilizada
do ponto de vista social, tentando entender os novos tipos de relações
que se estabelecem dentro deste espaço, os novos processos sociais que
gera, as transformações culturais que produz, as novas visões do mundo
que se constróem, as novas relações econômicas que se estabelecem. A Internet não deve ser vista como a rede
de redes do ponto de vista técnico, ou seja, de máquinas
interconectadas. A Internet deve ser vista como uma rede de redes humanas
que se relacionam umas com as outras e onde os computadores são somente a
plataforma tecnológica que permite midiatizar19
essas relações. Claro que o fato de que esteja baseada
numa plataforma tecnológica de computadores inter-relacionados faz com
que esta rede de redes humanas funcione com características inovadoras e
específicas. A partir do momento em que as relações passam pela
plataforma tecnológica, as comunicações sofrem modificações em sua
forma e fundo. Por outro lado, pensamos que é importante
que a Internet não seja considerada somente como uma ferramenta para a
realização de novas formas de intercâmbios comerciais – que é o que
atualmente prioriza, estimula e apoia o setor privado -, mas também para
promover a dinamização de estruturas e relações econômicas, políticas
e sociais alternativas às tradicionais. Movida somente pelas forças de
mercado, a Internet reproduzirá e aumentará as diferenças sociais
existentes. A sociedade civil tem um papel fundamental
ao definir os novos tipos de relações e construções sociais que
deveriam se desenvolver a partir da incorporação das tecnologias da
informação e comunicação. Esta não é uma problemática só de
governos e empresas.
Para a análise, conduzir as
ações e elaborar propostas relacionadas com esta tecnologia, utilizamos
as categorias de igualdade de possibilidade de acesso, com um sentido e
apropriação social da Internet. Consideramos que a simultaneidade dos três
aspectos é importante para atingir um impacto social positivo ao
incorporar a Internet em nossos países. Compreendemos o acesso com igualdade de
possibilidades como a possibilidade de que todas as pessoas tenham
acesso aos benefícios da Internet. Incorporamos nesta categoria tanto o
acesso à tecnologia quanto o desenvolvimento das capacidades técnicas e
metodológicas para poder ter um uso efetivo das potencialidades por ela
oferecida. As barreiras ao acesso eqüitativo não são somente técnicas,
mas também educativas, lingüísticas e culturais. Neste sentido, também nos preocupamos com
a busca de alternativas na conexão e capacitação gratuitas ou a baixo
custo e com as políticas, a tomada de decisões e a administração na
Internet. Estamos interessados em participar nas definição das políticas
ligadas às áreas, custos dos espaços na Internet e aspectos legais que
rodeiam esta tecnologia de tal forma que nossas visões e interesses sejam
levados em consideração. Encontramos uma diferença entre o uso e o
uso com sentido desta ferramenta tecnológica. Apoiamos as ações
que promovam um uso que relacione as necessidades dos diferentes grupos
sociais e a busca de alternativas para as resolver utilizando a Internet. Enfatizamos a apropriação social da
Internet de forma que esta ferramenta adquira um significado na
quotidianidade dos grupos sociais e venha a ser uma ferramenta para a geração
de novos conhecimentos que lhes permita transformar as realidades nas
quais se encontram inseridos.
Nós que estudamos, pesquisamos, avaliamos
e estimulamos ações relacionadas a esta tecnologia com uma visão
social, manifestamos explicitamente
que nos propomos a utilizar esta tecnologia como ferramenta para a
transformação das sociedades. Por isso, tentamos descobrir e
incentivar maneiras para que ela contribua na construção de novas
sociedades guiadas por valores comuns como relações mais eqüitativas,
menos discriminatórias e que promovam a igualdade de oportunidades. Além disso, enfatizamos, a partir de cada
uma de nossas especificidades, nosso compromisso em promover ações que
aproximem as oportunidades da Internet dos grupos menos privilegiados de
nossas sociedades.
Não acreditamos que a
Internet por si só produza mudanças que transformem as condições econômicas
e sociais dos grupos menos privilegiados de nossas sociedades e do mundo.
Não concebemos um processo linear; não acreditamos que exista uma relação
automática ou uma relação causa-efeito entre a Internet e o
desenvolvimento social. Para que esta tecnologia seja aproveitada
como uma ferramenta de desenvolvimento social, devem existir processos que
possibilitem às populações, organizações e países apropriarem-se
dessa tecnologia de tal forma que a Internet venha a formar parte de seu
quotidiano e tenha um sentido em sua vida diária. Ou seja, que tenha um
significado na possibilidade de melhorar as condições de vida, que seja
algo próximo e relevante para a transformação das relações sociais,
econômicas e políticas existentes. Devemos insistir para mudar o
sentido das ações relacionadas à Internet e que são estimuladas. Estas
ações priorizam a instalação de conexões e equipamentos e,
posteriormente, pergunta-se para que podem servir. Convidamos a uma reflexão
inicial conjunta sobre os principais problemas e necessidades existentes,
como a Internet pode contribuir para resolvê-los e, posteriormente,
decidir se são realizáveis, como e onde, estas instalações de
equipamentos e conexões. A Internet é uma porta aberta e ainda podemos aproveitar as organizações, comunidades, pessoas e países para melhorar as condições de vida das populações menos favorecidas. Mas também estamos cientes de que tudo
depende das ações que empreendamos num futuro próximo para que os espaços
de aproveitamento da Internet na transformação das sociedades se reduzam
ou se ampliem. Neste sentido, a Internet deve responder a
uma estratégia de comunicação e informação adotada por aqueles que
desejam, como nós, uma melhoria das sociedades nas quais vivemos.
O abismo digital é produto
da ruptura social. Primeiramente, consideramos que o abismo
digital não existe por si mesmo, mas é o produto das rupturas sociais.
Ou seja, trata-se das diferenças sociais preexistentes, políticas ou
econômicas, da distribuição do poder e dos recursos que as provocam. O abismo digital não
enfrenta somente máquinas conectadas. Enfrentar
o abismo digital implica não só dispor de computadores, mas também
desenvolver as capacidades necessárias junto à população para que
possam aproveitar esta ferramenta tecnológica em benefício do
desenvolvimento político, social e econômico. Isso significa, além de
poder ter acesso a computadores conectados, melhorar a auto-estima, a
organização comunitária, o nível educativo, as capacidades de interação
com outras pessoas e grupos, os níveis de empowerment para ser
propositivo, entre outras coisas. Vencer o abismo digital significa que os
grupos com os quais trabalhamos têm capacidade suficiente para poder
aproveitar esta tecnologia e melhorar suas próprias condições de vida e
a de seu meio. Em resumo, o abismo digital não
deve ser medido somente por sua infra-estrutura (por exemplo, o número de
máquinas conectadas), mas também pela capacidade que tenhamos
desenvolvido para transformar a informação disponível e as relações
existentes na Internet em conhecimentos proveitosos para melhorar nossas
condições de vida e nossas relações de apoio mútuo. Superar o abismo digital é
um problema coletivo e não individual. Por esta razão, não estamos de acordo com a idéia de enfocar a medição
do abismo digital de forma individual. A medição mais comum é feita a
partir do número de habitantes com relação ao número de máquinas
conectadas. Damos ênfase à idéia de valorizar mais a opção coletiva.
Neste sentido, consideramos que os benefícios da Internet não provêm da
conexão em si, mas dos efeitos por ela produzidos. Ou seja, poderíamos
falar de redução do abismo digital se os benefícios desta ferramenta
atingissem uma comunidade por inteiro, ainda que esta comunidade tivesse
poucos ou nenhum computador conectado. Quando falamos de superar o abismo
digital, falamos de comunidades, organizações ou famílias que tiram
proveito da Internet ainda que não estejam conectadas diretamente, e não
da relação um a um, indivíduo-máquina. Para exemplificar, se numa
comunidade um grupo de jovens tem acesso à Internet em seu colégio (e não
em sua comunidade) e descobre, por meio desta ferramenta, uma nova maneira
de transformar em água potável a água do rio, discute sobre esta
informação com os adultos, adapta a informação às suas condições de
vida, realiza um projeto similar de acordo com suas necessidades e visões
do mundo, conseguindo produzir entre eles/as água potável a partir da
fonte do rio. E se isto serve de exemplo e o grupo continua atuando desta
maneira, estará oferecendo à comunidade os benefícios da Internet. Então,
podemos falar de ações que permitem uma redução do abismo digital
junto à esta comunidade apesar de que somente um grupo de jovens tenha
acesso à Internet e de que não existam computadores com acesso nesta
comunidade. Pensamos que o abismo digital deve ser
valorizado com base nos benefícios oferecidos ou não pela Internet às
populações e cremos que o simples fato de ter uma conexão não é
suficiente para atingir estes objetivos. Evidentemente, estes processos são
mais rápidos quando existem conexões na comunidade, mas a simples conexão
não fará a diferença. Assim, damos apoio às ações que reduzem
o abismo digital, oferecendo os benefícios da Internet às populações
de forma coletiva e não só às ações que tendam à conexão de todos
à Internet. Pensamos que os esforços e recursos para a redução do
abismo digital não devem estar centrados nas máquinas, mas sim nos
processos comunitários, organizativos e nacionais que ofereçam os benefícios
da tecnologia à maior parte da população.
É óbvio que na Internet
existem diferenças. Não temos todos as mesmas possibilidades de acesso
ao que se apresenta na rede, nem a mesma facilidade para visibilizar o que
produzimos, nem os mesmos recursos tecnológicos e equipamentos para
aproveitar esta ferramenta. Estas diferenças estão relacionadas com os
custos e o conhecimento da tecnologia. Preocupamo-nos por esta tendência, mesmo
se pensamos que ainda existem muitos espaços abertos. Trabalhamos para
apoiar ações que reduzam o perigo de que a Internet se transforme numa
ferramenta manipulada principalmente pelos recursos econômicos dos que
dela participam. Procuramos que as pessoas que menos
possibilidades têm em nossas sociedades para serem ouvidas possam
encontrar nesta ferramenta um espaço para suas vozes, para interagir e
organizar-se com outras pessoas e um lugar onde possam encontrar informação
que lhes ajude a buscar soluções e a resolver necessidades.
A Internet é sobretudo uma
ferramenta apta a criar e reforçar as redes humanas. Sua introdução está
possibilitando a criação de uma nova rede social que temos que
compreender e dominar. A Internet é uma ferramenta que pode
facilitar, melhorar, agilizar os processos que se estão desenvolvendo nos
países, comunidades, organizações e regiões, e que tendem a melhorar
as condições de vida da maior parte das populações. Portanto, damos apoio às ações que
integrem a Internet dentro das práticas sociais e das iniciativas
organizativas já existentes que tendem a melhorar as condições de vida
dos menos favorecidos e que promovam o desenvolvimento de processos
participativos mais amplos.
Pensamos que a Internet é
uma fonte inesgotável de informação, mas que não nos fornece
conhecimento.
O conhecimento é produzido por nós mesmos de forma individual ou
coletiva ao assimilar a informação, refletindo sobre ela, adaptando-a a
nossas experiências, necessidades, condições, visões do mundo,
discutindo com outras pessoas pessoal ou virtualmente A geração de conhecimento implica
desenvolver o “processo de pensar” e esta é uma ação de caráter
absolutamente humano. A Internet ajuda-nos neste processo, facilitando-o,
já que encontramos em seu interior experiências parecidas, lições
aprendidas, novas idéias sobre os mesmos temas, recebemos informação,
ampliamos nossas visões, discutimos amplamente com pessoas e grupos de
muitos lugares do mundo. Mas o
processo de geração de conhecimentos acontece fora da Internet. Acreditamos que é necessário ir além do
mito de que a informação é conhecimento e de que, conseqüentemente, o
simples fato de estar conectado à Internet possibilita obter mais
conhecimento.
A geração de novos conhecimentos que
incorporam a Internet como uma ferramenta de informação e comunicação
não é um processo fácil. É indispensável descobrir as novas
habilidades e capacidades, a variação nos processos de trabalho, os
novos perfis educativos que nos permitirão aproveitar melhor esta
ferramenta para a geração de conhecimentos. Se não fazemos estas reflexões,
corremos o risco de coletar muita informação sem obter as mudanças
almejadas e ficaremos inertes pela quantidade incomensurável de dados. A construção de conhecimentos que
proponham novas soluções às necessidades, melhorem as formas de produção,
proponha alternativas aos problemas, será o motor de transformação das
sociedades. Mas, aprender a fazê-lo não é um processo espontâneo e,
portanto, tratamos de apoiar os estudos e pesquisas que enfatizem a
descoberta destas novas formas de produção e a promoção desta idéia
junto às agências internacionais, governos nacionais e locais, organizações
e comunidades. A descoberta destas novas formas de produção
deve ser feita em conjunto com os agentes sociais de forma que a construção
leve em consideração as diferentes visões do mundo, estimulando o
processo de apropriação da ferramenta tecnológica. O importante é que a
Internet se converta numa ferramenta útil para que os grupos sociais
menos privilegiados gerem novos conhecimentos que lhes permitam melhorar
suas condições de vida e transformar as sociedades em que vivem.
Continuando nesta linha de pensamento,
quando se fala do impacto da Internet, tentamos entender como a Internet
transformou o quotidiano das pessoas em sua vida pessoal, em sua atividade
no trabalho, suas relações interpessoais, a nível organizacional e de
cidadão. Quando falamos de avaliar o
impacto, tentamos descobrir em que medida a Internet está transformando
as realidades grupais e pessoais daqueles que formam a sociedade. Não enfatizamos o número de
computadores, as velocidades de conexão, a quantidade de mensagens, etc.
Estes são para nós elementos que nos permitem compreender o contexto no
qual vivemos. Tratamos de ir além do aparente para entender o essencial,
o que restará desta transformação.
Somos cautelosos ao afirmar que se está
construindo uma nova sociedade da informação e do conhecimento. Tomamos
cuidado para não estar repetindo um slogan. Pensamos que todas as
sociedades tiveram suas próprias formas de gerar conhecimentos e que esta
depende do contexto cultural. Constatamos com atenção as
modificações nas estruturas sociais, políticas e econômicas que estão
sendo produzidas para poder afirmar que não estão sendo reforçadas as
estruturas existentes e que a transformação é substancial. Além disso, não consideramos que a
Internet seja o único fator de transformação das sociedades atualmente.
Adotamos uma visão integral e crítica, onde se analisem os muitos
fatores e dinâmicas que as transformam permanentemente.
Pensamos que a Internet pode ter também
conseqüências negativas na vida pessoal, organizativa e social. Com freqüência,
tudo o que viaja por este meio é mais quantitativo que qualitativo. A
Internet pode produzir sobrecargas de trabalho, saturação, limitação
no contato pessoal, sentimentos de imediatismo, diminuição dos espaços
de leitura, reflexão e lazer. Também é possível viver sem a Internet,
apesar das pressões do contexto que incitam todas as pessoas, organizações
e instituições a se conectarem. Não obstante, esta decisão deve ser
feita com conhecimento de causa, ou seja, depois de ter tido a
oportunidade de conhecer a dinâmica que a Internet implica.
Partindo das posições
expostas anteriormente e em forma de resumo-guia, propomos a seguir uma série
de perguntas que nos permitem analisar as diferentes propostas e ações
desenvolvidas em relação com a incorporação da Internet em nossos países
e seus habitantes.
1. Diretório da CV Mística: http://funredes.org/mistica/castellano/emec/participantes/ 2.
http://funredes.org/olistica 3.
http://funredes.org/mistica 5.
http://www.funredes.org/olistica/documentos/doc2/isticometros.html 6.
http://funredes.org/mistica/castellano/ciberoteca/tematica/esp_doc_sam2_1.html 7.
http://funredes.org/mistica/castellano/ciberoteca/tematica/esp_doc_cv.html 8.
http://www.acceso.or.cr/PPPP/ 9.
http://www.idrc.ca/pan/ricardo/publications/Ofelia.htm 11
http://www.idrc.ca/pan/ricardo/publications/tcparaque.pdf 12
http://www.tele-centros.org/ 14 http://www.funredes.org/olistica/socios/ 15.
http://funredes.org/mistica/castellano/ciberoteca/tematica/esp_doc_olist.html 16.
http://funredes.org/mistica/castellano/emec/produccion/ 17 Desde fevereiro de 1999, quando
iniciaram-se as discussões na CV MÍSTICA. 18 “Internet” é um protocolo de comunicação
(TCP-IP) que permite que computadores possam se comunicar entre eles. “A
Internet” é uma rede que possibilita que as pessoas se comuniquem e se
informem através do uso de máquinas e protocolos: por isso preferimos
utilizar a expressão “a Internet”, que se refere à rede humana e que
está acima da camada tecnológica. 19 E em muitos casos, devido a suas limitações
de interface, "desmidiatizar"…
|
| Créditos | Mapa do site | Correo: <[email protected]> |
| http://funredes.org/mistica/portugues/ciberoteca/participants/docuparti/por_doc_olist2.html
Ultimo modificação: 24/10/2002 |